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Diário da Espectador(A)

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 Fortaleza, 25 de janeiro de 2020.

Decidi escrever algumas palavras para ver se essa linha entre o que eu produzi e a prática da mesma ressoe logo em materialidades críticas. Aos que não me conhecem, sou Maurileni Rodrigues, graduada em Artes Cênicas (Teatro), profissional técnica da linguagem artística Dança e curso especialização em Docência do Ensino Superior e Tutoria em Ead. Mas, isso que acabo de digitar não passa de um currículo formal, diria até mal elaborado e que não abarca o real desejo do agora.


Eu sou crítica em artes cênicas, uma aprendiz que tem o desejo de potencializar o Exercício da Crítica na cidade de Fortaleza. Nesse exato momento estou trabalhando a afirmativa: Eu sou crítica em Artes Cênicas. Todos me dirão que, para que isso seja crível, é preciso que aja produções na área. Nem que seja devaneios poéticos, deliberações opinativas de estudos teóricos, explanações criativas da cena artística fortalezence. Calma. Há um tempo para tudo, inclusive para as delicadezas que possam tornar-se em espinhos.

O primeiro passo é sempre o mais difícil. A retomada do passo também.

Aqui não estou a retomar, mas a criar. Aqui surge uma pesquisadora em curso.Uma crítica em andamento. Uma prática em sublimação. Uma via que pretendo percorrer os dois lados: do criador e o do espectador.

Assino o desejo corrente do diálogo, da espectação, da ludicidade e rastros do processo, da tempestiva odisseia neste território. Que comecem os exercícios.

Não há tempo para justificativas medonhas, nem tão pessoais - apesar de estar sendo.

Reitero a manifestação do começo - Eu, crítica em artes cênicas, me coloco à disposição do diálogo, da transversalidade, do eixo arte e educação escolar, da tríade Apreciar - Praticar - Contextualizar. ( Ana Mae Barbosa)

Está dada a largada
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Dos melindres de uma pesquisa que existe sem existir ( Talvez isso seja real)


21.01.2020

Ainda não conseguir ir ao teatro. Na verdade, o verbo não é bem o IR ou a sua negativa, o NÃO IR. Estou em trânsito. Depois de dois meses da defesa do TCC da graduação em Artes - teatro, eu ainda me vejo reorganizando papéis, recolocando em segmentos tudo aquilo que li e se transformou nessa minha ânsia de pesquisadora. Somado a isto tem nossa vida pessoal e profissional. A sorte é que estou na Educação - é assim que os professores falam quando estão uma VIDA no ambiente escolar enquanto professor regente, sala de aula.


Estou na Educação.

Estive pensando sobre como dar continuidade à vida acadêmica depois que deixmos de ser institucionalizadas (estar regularmente matriculada)? Como reunir os anos de estudo quando você sai da faculdade? Como encarar o objeto de pesquisa quando você não tem um professor orientador? Como acreditar na relevância da busca se não há alças lilases para segurar (Alusão à Marina Colassanti)? Para onde ir depois que chega naquele ponto limite? Como eu mesma me jogo do abismo?

Paro e reflito nesses limites acadêmicos. Eu sou uma estudante. Eu continuo sendo uma estudante. Eu quero sempre ser uma estudante. Isso me leva, portanto, a palavra disciplina. Disciplina. Disciplina. Disciplina.

Qual será o seu próximo passo?

Ter disciplina. Lógico!

Ler. Fichar. Ver. Ler. Escrever. Refletir. Conversar. Há caminhos possíveis para trilhar. Quero dividir com vocês trecho do ensaio Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo de Glória Anzaldúa. 

Por que sou levada a escrever? Porque a escrita me salva da complacência que me amedronta. Porque não tenho escolha. Porque devo manter vivo o espírito de minha revolta e a mim mesma também. Porque o mundo que crio na escrita compensa o que o mundo real não me dá. No escrever coloco ordem no mundo, coloco nele uma alça para poder segurá-lo. Escrevo porque a vida não aplaca meus apetites e minha fome. Escrevo para registrar o que os outros apagam quando falo, para reescrever as histórias mal escritas sobre mim, sobre você. Para me tornar mais íntima comigo mesma e consigo. Para me descobrir, preservar-me, construir-me, alcançar autonomia. Para desfazer os mitos de que sou uma profetisa louca ou uma pobre alma sofredora. Para me convencer de que tenho valor e que o que tenho para dizer não é um monte de merda. Para mostrar que eu posso e que eu escreverei, sem me importar com as advertências contrárias. Escreverei sobre o não dito, sem me importar com o suspiro de ultraje do censor e da audiência. Finalmente, escrevo porque tenho medo de escrever, mas tenho um medo maior de não escrever. 

Espero que vocês leiam as entrelinhas de tudo isso. Tudo isto é pesquisa. Meu corpo, meu gênero, minha raça, meu olhar estético.

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 Fortaleza, 11 de  janeiro de 2021



Olá! Eu sou Maurileni Rodrigues. Resido em Fortaleza, desde que nasci. Sou artista, professora, poeta. Gosto dessas três definições, em particular.


Desde 2014, eu tento ser atuante com as palavras. O verbo é tentar mesmo. Tento, desisto, tento, deixo em banho maria. Muitas dessas tentativas que não vigoraram são responsabilidades dos meus medos: como quem escreve e teme o escrito.

Este espaço, como já dito, é um espaço destinado ao erro e a desorientação.

Sou graduada em teatro, técnica em dança e pesquisadora sobre crítica teatral em Fortaleza. Essa pesquisa ( do exercício da crítica teatral) é uma busca que tine os meus ouvidos em um som bastante agudo. Não posso temer estes espaços de fala, na verdade, eu quero aprender mesmo é abrir a boca, compartilhar pensamentos, convidar ao diálogo, subverter modelos, criar possibilidades contínuas do processo criativo.

Eu quero escrever sobre como chega em mim. Não quero escrever juízos, quero escrever provocatórias, quero atravessar rios e ser outras, todos os dias.

Quero mesmo é dinamizar criações.
Sem regras. Sem punições. Sem cerceamento.

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MAPA AFETIVO DA CORRESPONDÊNCIA


05 de fevereiro de 2021

Prezados,

Eu tenho vícios de pesquisa. Eu coleciono cadernos, lápis, canetas coloridas, post'its. Eu escrevo anotações e comentários em todos os cantos. Adoro usar toda a folha de papel e rasgar depois que tomo por mim que é chegado a hora de ir.

Eu leio milhares de coisas ao mesmo tempo. Eu sou viciada em ABNT e erro as regras como se elas me cegassem ( talvez ceguem mesmo). Eu tenho milhares de emails: um é acadêmico, um é pessoal, um é profissional, um é sobre mecânica quântica, um é sobre formação de professores... 

Desde que eu descobri que o Google me dá sempre mais daquilo que eu busco, essa é a forma que eu encontrei de burlar os algoritmos de pesquisa da Google.

Eu me sinto menos alienável.
Ou alienada somente quando quero - tenho email pra isso também.

Como vocês estão? Eu chorei essa semana. Eu chorei ontem.

Eu me agarro a esperança, mas estou com receio que o futuro pode ser mais difícil que agora.
Isso também faz parte sobre a pesquisa e o mundo de uma pesquisadora.
Eu estou desempregada. Desde maio/2020. Sem possibilidade de auxílio emergencial. Eu estou bem. Só estou com medo de quanto mais tudo isso dure.

Faz parte da pesquisa acreditar.
Eu acredito.

Hoje assisti um Webnário sobre textos de pesquisadores e pesquisadoras artistas de Fortaleza ( em breve conto mais de cada texto).

Estudar e pensar em pesquisa acadêmica me tira do fundo do poço.
Eu me entreto com o que eu gosto e esqueço do almoço.

Isso faz parte da pesquisa.

Com você está?

Espero que bem.

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Fortaleza, 21 de fevereiro de 2021

Tem dias que amanheço angustiada. 

Hoje é um desses dias.

Pode ser sobre estes dias. Pode ser a pandemia. Pode ser meus pensamentos quanto ao exercício da crítica teatral.

Concluo que antes de existir, busco a prática.

Apesar de adiá-la.

A quem me reporto quando digo: vou escrever?

Para quem escrevo e por que escrevo?

Quem serão os leitores e leitoras? Aonde encontrarei ressonância dessa necessidade? Será que tenho deixado tudo pessoal demais quando este conceito aqui deveria ser mais coeso, sisudo, jornalístico?

O que eu faço que tenho me sentido em solilóquio?

Esse mês, uma postagem, ao menos.

Uma crítica ao menos.

Uma critica(zinha) humilde, discreta, delirante.

Você não sabe, mas dói muito aqui.

Preciso explodir.

O relógio está em ordem decrescente para a finalização.




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