*correção do título: Animais me percebem, paisagens me escutam, de Ana Mundim [Curta Mais Dança] Animais me percebem, paisagens me escutam Para que serve o exercício da crítica teatral? Para quem escrevo? Para o artista em cena, ou para o público estudante da área, também artista? Ou a crítica é um chamamento para outra pessoa decidir vir assistir, feito um catálogo CríticaFlix? Tenho me questionado justamente isso nesse exato momento que assisti à videodança de Ana Mundim. Como escrever paisagens? Como escrever sentidos? Como escrever materialidades de uma cena longínqua e equidistante? Se fosse um CríticaFlix (acho que quero trabalhar nesse quadro, rs), eu diria que é livre para qualquer idade, entraria na categoria SPOTIFY para ficar 'goodvibes'. Se eu fosse escrever para o público que está em busca do que ver, desnorteado das inúmeras opções/logaritmos de busca, eu diria: - Veja e olhe at...
Escrever sobre o que vê é algo que me distancia da coisa, ou ao menos me coloca frente ao objeto, em uma atitude de observação ativa. Em alguns momentos, traços do que chega aos meus olhos, salta para outras partes do corpo, em uma relação através do movimento, da palavra, das imagens.. Baldio, espetáculo teatral do grupo Pavilhão da Magnólia , meio que ocupou esse lugar de disputa dialógica durante estes sete dias que esteve aqui dentro, incubado, germinando sentidos e proporcionando substancialidade às palavras. Já enquanto um processo de aprendizagem do tecer-a-escrita, este exercício segue uma cadência outra. Tento distanciar-me da forma como sequencio os pensamentos para experimentar compor outras grafias possíveis e imaginadas da crítica teatral, mas, talvez por eu compreender a minha forma de compor o texto, encontro dificuldades de me distanciar de mim. Permitindo que a palavra do próprio espetáculo fale por ele mesmo, Baldio se constitui em quadros cênicos qu...